Óleo de coco: polêmica ou descaso?

Óleo de coco: polêmica ou descaso?

A Associação Brasileira de Nutrologia - ABRAN, há pouco mais de 4 meses, condenou o uso indiscriminado de óleo de coco como sendo uma gordura saudável. Mais uma vez a medicina clássica orienta a população de forma equivocada ou existe algum fundamento científico que comprove a ineficiência, ou até mesmo, uma periculosidade no consumo de óleo de coco?

Muitas vezes, ao lermos o comunicado de um médico famoso, de uma sociedade médica e, até mesmo, de uma simples reportagem mal feita reproduzida na mídia, somos induzidos a acreditar que aquele comunicado é a expressão da verdade, quando muitas vezes pode estar nos enganando, principalmente por haver potenciais “conflitos de interesse”.

Vamos analisar o comunicado oficial da ABRAN e tiraremos nossas próprias conclusões. Você irá encontrar o texto integral do comunicado da ABRAN digitando na internet esta frase: “Posicionamento Oficial da Associação Brasileira de Nutrologia a Respeito da Prescrição de Óleo de Coco”.

Quando você ler o comunicado irá perceber que existem afirmações difíceis de acreditar que vieram de um profissional gabaritado. A primeira delas está no ítem 2: “faltam evidências científicas suficientes para recomendar o óleo de coco com agente antimicrobiano ou imunomodulador”, e ao final desta frase aparece o número 4, que é a referência bibliográfica de onde a autoraretira suas afirmações, sobre a qual falaremos mais adiante.

Vamos considerar primeiramente uma coisa. Gostaria que você fizesse um exercício simples. Vá até o Google Acadêmico que é uma plataforma básica de pesquisa e digite “coconutoilandheartdisease”. Ao fazer isso, você irá perceber diante de seus olhos nada mais nada mesmo do que  50.900 referências científicas. Mas se você precisar de uma plataforma mais “profissional”, pode fazer a mesma pesquisa no PubMed e irá encontrar 54 referências de altíssima qualidade, somente sobre os efeitos do óleo de coco na doença cardíaca.

Da mesma forma, se você digitar no Google a frase “coconutoilhealth” teremos 121.000 referências, e no PubMed, 194 referências. E assim por diante. Esta brincadeira é muito boa sobre qualquer assunto dito “polêmico”, principalmente aqueles onde alguma “autoridade” se apressa a condenar, afirmando que “não há evidências científicas sobre tal”. Ora, vimos que de imediato, a tese de que não há evidências científicas despenca ladeira abaixo.

Voltemos agora à referência científica utilizada de exemplo pela autora. Trata-se de um artigo de revisão que tem muito mais consistência científica do que um artigo de observação, com o seguinte título:

 

DebMandal M, Mandal S. Coconut in healthpromotionanddiseaseprevention. AsianPac J TropMed 4(3):241-7, 2011.

 

            Agora, pegue esta referência e coloque no Google e o artigo irá aparecer para você ler. O seu resumo aparecerá assim em inglês:

 

Abstract

Coconut, Cocos nucifera L., is a treethatiscultivated for its multipleutilities, mainly for its nutritionaland medicinal values. The variousproductsofcoconut include tender coconutwater, copra, coconutoil, rawkernel, coconutcake, coconuttoddy, coconutshellandwoodbasedproducts, coconutleaves, coirpith etc. Its allparts are used in somewayoranother in thedailylifeofthepeople in thetraditionalcoconutgrowingareas. It istheuniquesourceofvarious natural products for thedevelopmentof medicines againstvariousdiseasesandalso for thedevelopmentof industrial products. The partsof its fruitlikecoconutkerneland tender coconutwaterhavenumerous medicinal propertiessuch as antibacterial, antifungal, antiviral, antiparasitic, antidermatophytic, antioxidant, hypoglycemic, hepatoprotective, immunostimulant. Coconutwaterandcoconutkernelcontainmicromineralsandnutrients, which are essentialtohumanhealth, andhencecoconutisused as foodbythepeoples in theglobe, mainly in the tropical countries. The coconutpalmis, therefore, eulogised as ‘Kalpavriksha’ (theallgivingtree) in Indianclassics, andthusthecurrentreviewdescribesthefactsandphenomenarelatedto its use in healthanddiseaseprevention.

Ao ler o resumo, você já percebe que o que está escrito no artigo é exatamente o contrário do que citou a médica. O artigo afirma, sem colocar dúvidas, que o coco e seus produtos são antibacterianos, antifúngicos, antivirais e antiparasitários, ou seja, é um agente antimicrobiano e combate infecções.

Além disso, a referência citada ainda afirma que o coco e seus produtos tem ações imunoestimulantes, ou seja, contraria todo o comunicado da ABRAN, o que faz pensar que a autora não leu o artigo ou que, propositalmente, procurou induzir a população a um entendimento equivocado sobre o assunto.

Outras referências citadas pela médica da ABRAN seguem a mesma linha de raciocínio, embaralhando as conclusões dos artigos citados. Uma dessas referências inclusive sugere que o óleo de coco é uma gordura saturada mais favorável à saúde, contrariando tudo o que a médica da ABRAN tentou desenvolver no seu texto.

Por isso meus amigos, temos que ter um posicionamento crítico sobre qualquer coisa que se leia, inclusive esta coluna, principalmente quando afirmações precipitadas podem confundir a população leiga e jogar fora uma grande oportunidade de agregar saúde com o consumo de óleo de coco.

Na próxima semana irei falar sobre OS REAIS BENEFÍCIOS DO ÓLEO DE COCO e seu consumo diário.

Dr. Maurício Egydio é médico fisiologista e ortopedista

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