Vale tudo

Vale tudo

- Foto: divulgação

Digamos que uma pessoa já tenha comprado a idéia de ser uma boa investidora e tenha adotado como meta em sua vida desenvolver a sua inteligência financeira. É verdade que há várias formas de atingir esta meta e vários estilos de administração do dinheiro, mas com limites, não é um vale tudo.

É nas mentiras necessárias, nas traições leves, nos pequenos roubos, nas contravenções que todo mundo faz e nas desonestidades toleradas que o vale tudo começa. Vale tudo para “chegar lá”? Lá onde? E se o “lá” não for o que se esperava ou se mudar de lugar?

O custe o que custar até certo ponto é persistência e portanto parte da inteligência financeira, mas passar por cima de tudo e de todos é egoísmo. Quem fizer negócios baseado nestes conceitos, terá que se esforçar cada vez mais para encontrar novos parceiros. Aqueles com quem a pessoa já trabalhou não confiam mais nela. Alguns a considerarão indesejável ou até mesmo um inimigo a temer. Clientes a quem esta pessoa prometeu e não cumpriu, sócios que ela enganou, fornecedores que humilhou, colegas de quem roubou ideias. Esperteza com os números, habilidades de negociação e técnicas de venda fazem parte da inteligência financeira, desde que não se ultrapasse a linha da ética. Aceitar dinheiro para fazer coisas que a pessoa sabe que são erradas costumava ter o nome de corrupção.

Privacidade com relação ao patrimônio que se possui é um direito de todos, embora o governo cobre estas informações na declaração do imposto de renda, ninguém precisa ficar alardeando quanto tem, deve, ganha ou gasta. Mas deixar de atender a uma necessidade ou de pagar uma dívida para que “sobre” dinheiro para investir não é inteligência financeira, é distorção do conceito de reserva. E para ter inteligência financeira não basta ter reserva é preciso saber o que fazer com ela. 

Muitas pessoas ganham rios de dinheiro e vivem no mundo do luxo à custa de prejudicar outras, direta ou indiretamente. Os golpistas se consideram criativos e ágeis, mas tem tanta gente boa que esbanja criatividade… Vale viver do crime e morrer cedo, após uma vida extremamente tensa, de constantes ameaças e fugas, colecionando inimigos? Negócios escusos, com colarinho branco ou não, nunca foram inteligência financeira, mas sim bandidagem.

Vale tudo para parecer ter? Supervalorizar grifes a ponto de endividar-se para sentir-se parte da elite ou a ponto de comprar produtos falsificados, que não tem compromisso nenhum com a qualidade, só para parecer que pode, não é inteligente, é brega e fútil.

Muitas situações que parecem vantajosas não tem nada de inteligência financeira, acabam em grandes prejuízos de tempo e dinheiro. Não, não vale tudo para “se dar bem na vida”. E ainda há muita gente de sucesso com ética, que bom.

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Andréa Voûte

Desde 2002 Andréa Voûte ajuda pessoas a lidarem melhor com o seu dinheiro individualmente, em família ou nas micro e pequenas empresas. Foi bancária e hoje é Consultora financeira e palestrante na Voute Contar. Autora do livro Finanças pessoais uma gestão eficaz, criou vários cursos, controles e métodos de consultoria e planejamento. contato@voutecontar.net.br

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