Deva Pascovicci e Mário Sérgio moraram em São Roque

Deva Pascovicci e Mário Sérgio moraram em São Roque

- Foto: divulgação

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O locutor esportivo Deva Pascovicci e o ex-jogador e comentarista Mário Sérgio Pontes de Paiva, vítimas fatais no acidente aéreo com a delegação do Chapecoense, moraram em São Roque.

Deva trabalhava na Rede Manchete quando mudou para São Roque na segunda metade dos anos 90 por indicação da irmã Neide que morava na cidade e trabalhava em Furnas. Ela foi casada com o contador Zander Pereira um dos fundadores do Coringa Futebol de Salão.

Foi por conta dessa ligação que conheci Deva Pascovicci e estivemos juntos em vários churrascos e jogos do Coringa, principalmente na grande campanha de 1995 quando o time chegou às semifinais do Cruzeirão. Nos divertimos muito revivendo histórias de rádio.

“Virou lenda”, costumava falar Deva quando se lembrava de um amigo ou de um episódio.

Em São Roque, morou em vários lugares. O primeiro endereço foi na Germano Negrini (antiga rua da Rádio Universal) quando marcou a mudança para o dia 16 de agosto. Imagina como foi descarregar um caminhão em uma rua estreita em plena festa do padroeiro.

Morou na rua Raposo Tavares (Jardim Bandeirantes), ao lado do parquinho (EMEI), onde foi vítima de um furto. Lembro dele morando também na rua Honório Mendes de Moraes, na Esplanada Mendes. Curiosamente novamente em rua onde funcionou a extinta Rádio Universal, onde hoje funciona a Rádio Imaculada Conceição.

Quando fui trabalhar na Jovem Pan em várias oportunidades fomos juntos para o estádio como ocorreu em abril de 2000. Na tarde daquele domingo, Deva transmitiu um jogo da Ponte Preta, no Moisés Lucarelli.

Em nossa companhia estava o comentarista Mário Sérgio Pontes de Paiva que também estava morando em São Roque no condomínio Vinhas de João Paulo (Estrada do Vinho) com a esposa Maria Regina e o filho Felipe (3 anos).

Naquele mesmo dia fiz uma entrevista com Mário Sérgio para a coluna Galeria do Jornal da Economia. O ex-jogador do Internacional, São Paulo, Palmeiras (entre outros grandes clubes) e da Seleção Brasileira lembrou que a indicação para morar em São Roque foi exatamente de Deva Pascovicci.

 “Estava cansado de São Paulo. A falta de segurança e o trânsito caótico da capital foram decisivos no momento dessa mudança”, disse Mário Sérgio.

Deva sempre tinha um projeto em mente

Deva Pascovicci não foi apenas um grande locutor esportivo com voz forte, narração emocionante e um carisma acima da média. Tinha um estilo próprio e frases de efeito. Mas, principalmente, um grande amigo.

Natural de Monte Aprazível, em 28 de setembro de 1965, foi registrado como DevairPaschoalon. A mudança de nome ocorreu quando pediu para um estúdio uma vinheta com o seu nome.

Deva não gostou do resultado. O produtor justificou que o problema estava no nome que não ajuda na sonoridade. Foi quando adotou o nome artístico Deva Pascovicci e voltou para casa feliz com vinheta personalizada.

O trabalho de Deva Pascovicci não se limitava a narrar as emoções do futebol. Buscava sempre novos desafios e projetos audaciosos.

Ganhou projeção forte rádio esportivo de São José do Rio Preto, cidade que adotou e na qual reside a família.

Na Rádio Cultura de Jales acompanhou o time de basquete da cidade em competições pelo Brasil e teve a ousadia de viabilizar com os companheiros de equipe a transmissão internacional de um torneio em Portland, em Oregon (Estados Unidos).

Veio para São Paulo trabalhar em projeto esportivo da Rede Manchete ao lado de Osmar Santos. Depois seguiu para o canal fechado sendo um dos primeiros locutores da SporTV.

Trabalhou por 10 anos na Rádio CBN onde realizou transmissões memoráveis. No início do ano passado, foi contrato pela Fox Sports.

Deva era sócio diretor da CBN Grandes Lagos de São José do Rio Preto. Antes de acertar com a Fox, telefonou para contar que estava montando uma rede de rádio no Interior de São Paulo voltada para o esporte. O projeto também envolvia transmissão pela internet.

Fui convidado para fazer parte e chegamos inclusive a acertar salário. Infelizmente o projeto teve que ser adiado quando ele passou a ter o Rio de Janeiro como base profissional.

Deva já tinha lembrado de mim no início dos anos 2000, quando lançou um site de informações esportivas em áudio, ode fiz boletins da Portuguesa, Ponte Preta e Guarani.

Foi um lutador, superando até mesmo um câncer no intestino que o impediu de cobrir a Copa da Alemanha. Passou por cirurgia e venceu uma infecção generalizada que o deixou em coma.

Deva é um exemplo a ser seguido como profissional e, principalmente, como pessoa. A tristeza é grande nesse momento, mas guardarei o seu discurso sempre otimista e a certeza que a vida sempre oferece novos projetos para quem não desiste e não foge dos desafios profissionais.

A vida que também nos oferece surpresas extremamente tristes como a ocorrida na madrugada deste dia 29 de novembro de 2016 quando Deva viaja para a transmissão do primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional de Medellín.

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Vander Luiz

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