Pais deveriam ser punidos pela obesidade de filhos?

A obesidade é considerada um dos maiores problemas que a humanidade enfrenta

Pais deveriam ser punidos pela obesidade de filhos?

A obesidade é considerada um dos maiores problemas que a humanidade enfrenta. Em uma tentativa de combater o problema, o território americano de Porto Rico está debatendo a possibilidade de multar pais que não consigam fazer seus filhos perderem peso. Mas isso funcionaria em outros lugares?

Mais de 600 milhões de pessoas, ou 13% da população adulta do mundo, são obesas. A taxa mais que dobrou entre 1980 e 2014, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). O custo estimado disso para a economia global é de US$ 2 trilhões (R$ 5,6 trilhões).

Governos federais e regionais lutam contra uma epidemia da doença – definida como ter um índice de massa corporal (IMC), baseado na proporção entre altura e peso, maior que 30. No entanto, empresas de alimentos e bebidas frequentemente acusam o Estado de interferência e "superproteção" quando novas medidas são postas em prática.

Por isso, as tentativas de combate à obesidade são irregulares e os especialistas se dividem sobre o que funciona, se é que alguma delas funciona.

No Brasil, o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) passou a considerar abusivas propagandas que tentam persuadir crianças a consumir alimentos, produtos e serviços, voltados especialmente para os alimentos pouco nutritivos.

A medida foi criticada por associações de mídia e publicidade, mas apoiada por ONGs e ativistas preocupados com os índices de obesidade infantil – que afetam 39% das crianças brasileiras, segundo um estudo internacional publicado em 2014.

Famílias na Inglaterra e em diversos Estados americanos estão recebendo cartas alertando se exames feitos na escola mostram seus filhos muito acima do peso.

Políticos de Porto Rico começaram a debater se o governo deveria se envolver mais em um dos motivos considerados cruciais para o aumento da obesidade infantil – pais irresponsáveis.Se a assembleia legislativa aprovar os planos do senador Gilberto Rodriguez Valle, professores terão que avaliar estudantes que consideram obesos e encaminhá-los a um orientador psicológico ou, em casos mais graves, a um assistente social. Em seguida, funcionários das secretarias de saúde visitariam os pais para determinar se a obesidade da criança tem origem em um problema de saúde ou no hábito de comer muito.Se o problema for o hábito, os pais serão encarregados de estabelecer um programa de dieta e exercícios, com visitas mensais de funcionários para ter certeza de que ele está sendo mantido. Após seis meses, eles examinariam a criança novamente, e os pais podem ter que pagar multas de até US$ 800 se não houver melhora dentro de um ano.Críticos da proposta dizem que, em uma sociedade onde a magreza se tornou um símbolo de status perpetuado pela mídia, a ideia de professores agirem como polícia do corpo contribuirá para estigmatizar ainda mais o sobrepeso. Proposta porto-riquenha faz com que pais sejam obrigados a criar dieta e plano de exercícios para crianças obesas, sob pena de pagar multa.Há também uma grande dúvida sobre se essa estratégia – mais punitiva do que recompensadora – pode funcionar.

Há uma sensação de desamparo diante do ganho de peso no mundo, que é amplamente atribuído ao aumento do consumo de comida e à diminuição da prática de atividades físicas.

"A obesidade não está apenas crescendo, como não há casos de sucesso nacionais (contra a doença) registrados nos últimos 33 anos. É necessário que lideranças e ações globais ajudem os países a intervir de maneira mais eficiente", diz um estudo da Fundação Bill e Melinda Gates publicado há dois anos.A obesidade é um problema maior em grupos sociais mais pobres, que vivem em um ambiente que favorece a obesidade. Ele diz que as possibilidades de se exercitar são menores e, por causa da maior proporção da renda da família gasta com comida, a tendência é que se comprem mais produtos baratos e com muitas calorias, açúcar ou gordura, com valor nutricional limitado.

A Filadélfia – a cidade com mais sobrepeso entre as maiores dos EUA – conseguiu diminuir a taxa de obesidade infantil depois que a administração municipal convenceu supermercados e similares a ter mais frutas e vegetais em áreas geralmente descritas como "desertos de comida", porque nelas ficam os produtos com menor valor nutricional.O leite integral também foi proibido nas cantinas escolares, assim como as frituras. Refrigerantes e bebidas com muito açúcar também desapareceram das máquinas de venda."Nenhum desses esforços incluiu a estigmatização ou a punição dos pais", diz Rebecca Puhl, vice-diretora do Centro Rudd para Políticas de Alimentação e Obesidade, baseado no estado americano Connecticut."Ao contrário, essas mudanças exemplificam maneiras de apoiar e empoderar os pais, para facilitar a melhoria da saúde de seus filhos."Puhl afirma que é preciso uma abordagem mais integrada, envolvendo as escolas encorajando uma alimentação melhor e mais exercício físico.

A verdade é que os pais são os únicos responsáveis pelo controle alimentar e a educação em saúde de seus filhos em casa, e formadores dos bons hábitos que perdurarão por toda a vida, ajudando sua prole a fazer melhores escolhas a cada dia.

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Josimara Grinholli

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