O que são alimentos processados e porque é tão importante falar deles?

O que são alimentos processados e porque é tão importante falar deles?

- Foto: Reprodução/Internet

A verdade não é propriamente simpática, sobretudo se pensarmos que uma ida ao supermercado é uma espécie de vitrine com um número infindável de propostas processadas que facilmente levamos do cesto de compras para a cozinha de casa. Não interessa se colocados no prato têm um aspeto divinal e um sabor apetecível, porque, em última análise, são alimentos que nos fazem mal e que a longo prazo podem representar uma conta bem cara.

Os alimentos processados são alimentos que não provêm diretamente da natureza e que, de alguma forma, sofreram manipulação por parte do homem. São aquilo a que chamamos de alimentos industrializados. Nesta lista estão produtos com um perfil nutricional mais pobre e à base de ingredientes artificiais — corantes, adoçantes, estabilizadores e emulsionantes –, que permitem uma conservação mais duradoura. São práticos, de fácil consumo e mais acessíveis financeiramente.

A premissa seguinte é, então, conhecer quais as consequências da sua ingestão prolongada. Esses alimentos têm muito sal, muito açúcar e muita gordura. A própria farinha pode sofrer modificações e o amido é mais facilmente absorvido, o que gera picos de glicemia mais altos. E a densidade energética tende a ser aumentada, esclarece Nuno Borges, professor na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto e membro da direção da Associação Portuguesa dos Nutricionistas. Preto no branco, Borges associa o excesso de sal à hipertensão e o açúcar à obesidade e à diabetes. E caso não sinta, de momento, essas consequências, fique sabendo que são fenômenos que se acumulam no tempo. Os números estão aí pra quem quer ver.

A isso acrescenta-se que as altas temperaturas e a manipulação a que estes alimentos estão sujeitos ajudam a subtrair algumas das suas vitaminas. Não é por acaso que são chamados de “geradores de fome”, uma vez que o excesso de açúcar presente, de mão dada com uma pobreza de fibras, faz com que a sua absorção seja mais rápida. É uma espécie de ciclo vicioso pouco saudável e facilmente viciante tendo em conta o ritmo de vida a que nos habituamos.

Importa perceber ainda que existem diferentes graus de processamento, com diferentes graus de consequências. Nesse ponto, o fim da escala pode ser o pacote de batatas fritas que é servido pela hora do jantar, quando a falta de tempo não permite cozinhar, ou que se abre na hora de um jogo de futebol. O mesmo se aplica à barra de cereais que, não raras vezes, levamos na bolsa para os intervalos entre refeições.

O novo guia alimentar brasileiro de 2014 define os tipos de alimentos:

  • Alimentos in natura: dizem respeito aos alimentos que são obtidos diretamente da planta ou do animal sem sofrerem alterações depois de colhidos (frutas, ovos, verduras e legumes;
  • Alimentos minimamente processados, que antes da sua aquisição sofrem alterações mínimas, como limpeza, secagem, embalagem, pasteurização, congelamento, moagem ou fermentação; estes alimentos, nos quais não existe adição de sal, açúcar, óleos e gorduras, assumem a forma de leguminosas secas (grão ou feijão), farinhas ou leite pasteurizado;
  • Alimentos processados, que correspondem aos alimentos em que se adicionou sal, açúcar ou gorduras (enlatados, conservas, fruta em calda, queijos, frutos secos, salgados, etc);
  • Alimentos ultraprocessados, ou seja, que passam por diferentes técnicas de processamento, nos quais são adicionados vários ingredientes, normalmente artificiais e com um perfil nutricional pouco atrativo. São bolos ou tortas embaladas, pães industrializados, snacks salgados, lasanhas pré-fabricadas, sopas desidratadas, caldos industrializados, refrigerantes, bolachas recheadas, e massas instantâneas.

Na dúvida, um alimento empacotado é um alimento processado. Outra dica é ler os rótulos. Uma coisa boa é ver a lista de ingredientes. Regra geral, se tiver muitos ingredientes (cinco ou mais) é porque é muito processado. Não vão faltar oportunidades para testar a teoria, uma vez que eles estão (quase) em todo o lado: nos infindáveis corredores do supermercado, nas mercearias, nas lanchonetes e bombonieres. Pacotes coloridos e chamativos, anunciados incansavelmente nas mídias. A pergunta é antes: onde é que eles não estão? Na feira e na peixaria, por exemplo.

Uma coisa é certa, a nossa alimentação depende cada vez mais destes falsos e apetitosos amigos. Embora existam pessoas cada vez mais preocupadas com a alimentação, ainda existe uma grande parte da população que se deixa seduzir pelo sabor e praticabilidade destes alimentos e o fazem desde muito cedo.

É possível ter uma dieta alimentar sem alimentos processados? Os alimentos não processados exigem uma maior dedicação na cozinha, exige que o consumidor regresse às raízes da cozinha. Para substituir os produtos processados temos tudo aquilo que a natureza oferece, desde vegetais, legumes, frutos, leguminosas, ovos, carnes brancas ou peixe. É difícil sair da zona de conforto e tratar de si e da família. Mas, mais cedo ou mais tarde, a fatura de tudo o que fazemos ao nosso corpo nos será apresentada através da falta de saúde - doenças crônicas não transmissíveis, pelo que fica o alerta: intervenha enquanto é tempo e afaste-se dos produtos processados e especialmente dos ultraprocessados.

 

 

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Josimara Grinholli

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