Dinheiro: onde?

Dinheiro: onde?

- Foto: Reprodução/Internet

Por apenas um momento Otacílio permaneceu com seu cérebro em silêncio! Havia estado a pensar por horas a fio sobre uma questão: para onde as mudanças presentes em diferentes cenários levariam aqueles que, ansiosos, ficavam a construir seus currículos e depois passavam a distribuí-los nessa ou naquela organização para permanecer a esperar por uma resposta positiva que nem sempre acontecia. O mundo estava a mudar de maneira violenta e rápida; o ontem rapidamente se transformava no passado; o presente oscilava inquieto e o futuro se apresentava como uma grande e indefinida interrogação. Muitas questões emergiam dessas considerações, mas algumas pareciam, ao nosso observador, mais instigantes: Os novos colaboradores tenderiam a atuar mais a partir de um home office? As carreiras - engenharia, administração, e outras - sofreriam modificações com os novos desenhos de realidade? As formas de apresentação tradicional de produtos em lojas seguiriam a tendência já em curso de serem oferecidos com maior frequência através do ecommerce? O novo foco seria fixo ou variável? Como as pessoas iriam sobreviveriam em um ambiente que era totalmente novo e estava a envelhecer para dar lugar a novidades ainda não bem definidas?

Uma reflexão lhe parecia estruturada de maneira perfeita: Indivíduos iriam crescer apoiados em formas convencionais presentes em diferentes meios de educação, porém as metodologias do processo de ensino e aprendizado seriam dinamicamente distintas das utilizadas em momentos anteriores; por outro lado, a globalização iria afetar o desenvolvimento desses possíveis trabalhadores do futuro através da presença de tecnologias cada vez mais dinâmicas e da inserção de cada um em mundos diferenciados e com culturas muitas vezes distantes. Aos olhos de diferentes observadores as respostas a essas e outras interrogações já estavam misturar-se sem que definições pragmáticas e definitivas conseguissem se estabelecer.

Enquanto permanecia sentado, curtindo a sombra de uma jaqueira, Otacílio observava o resultado de seus esforços nos poucos mais de novecentos metros quadrados que possuía: à sua frente cresciam os pés de laranjas e de limão, os quais com pouco mais de um ano já estavam a produzir alguns frutos; acolá a sonhada horta oferecia algumas variedades de hortaliças e temperos a se desenvolver apesar das inconstâncias climáticas; do outro lado ruidosas maritacas disputavam as últimas goiabas; na divisa do terreno o abacateiro pendia seus galhos com o peso de seus frutos ao lado do pé de caqui com suas cores vibrantes a contracenar com o verde das folhas.

Quanto gastara para construir esse espaço? Algumas mudas haviam sido compradas, outras trocadas, outras resultaram de sementes e as demais tinham a participação das aves. O adubo utilizado resultará de restos vegetais ou se originava na cozinha. O resto ficava por conta da dedicação e do acreditar que a partir de recursos esquecidos era possível construir e transformar. Ainda a refletir olhou a cesta de frutas e legumes e frutos para concluir que acabara de fazer a feira semanal sem ter de sair e na qual só estavam produtos isentos de agrotóxicos.

Ficava então um pergunta muito simples: não seria possível alavancar o futuro a partir de recursos esquecidos?

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Francisco Sacramento

Palestrante/professor especializado em atendimento ao cliente e gestão de recursos, Francisco Sacramento. Administrador de Empresas Graduado e Pós-graduado pela Fundação Getulio Vargas – SP, mestre em Administração pela UMESP – Universidade Metodista de São Paulo. Professor, palestrante, fotógrafo, orquidófilo. Membro da Academia de Letras Araçariguama (cadeira Guilherme de Almeida). É autor de artigos científicos ...

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