A Terceirização da Vida

A Terceirização da Vida

- Foto: Divulgação

Quando as pessoas falam em Terceirização, elas se referem a transferência de atividades-meio, para que possam focar melhor na sua atividade-fim. O exemplo mais comum de Terceirização na área de serviços é a terceirização dos serviços de limpeza, onde as pessoas contratam outra empresa para fazer a limpeza do escritório/prédio/loja/fábrica etc.

Atualmente a terceirização mais comum no setor de produção é enviar seu produto para ser feito na China/Índia/Vietnã/Bangladesh etc., onde os custos são muito mais baratos possibilitando maior lucro e evitando ter que lidar com uma série de problemas que sempre aparecem na produção de qualquer produto.

 

O que poucas pessoas param para pensar a respeito é na terceirização da vida!

 

Nas últimas décadas a vida vem sendo terceirizada desde se seu início. Até poucas décadas atrás as mulheres pariam em suas próprias casas com o auxílio de uma parteira. Atualmente uma grande maioria parem em maternidades.

 

A educação formal sempre foi terceirizada para as escolas e a educação artística terceirizada para liceus ou professores particulares de música, ballet, desenho, pintura etc.

 

Os afazeres domésticos têm sido terceirizados desde a época da escravidão branca, que ocorreu centenas de anos antes da escravidão negra. Os povos dominantes sempre usavam os povos dominados como escravos para suas magnânimas construções assim como para limparem seus palácios.

 

A saúde também já foi terceirizada a tempos para os médicos, clinicas e hospitais. As pessoas não se cuidam apropriadamente e quando adoecem querem que o outro, leia-se, médicos e instituições de saúde, se responsabilizem por sua saúde. O melhor exemplo é o da pessoa que sofre de diabetes, mas mesmo assim continua ingerindo carboidratos, doces e frutas; e depois quando a coisa complica, culpam os médicos ou o sistema de saúde.

 

Na vida adulta uma grande maioria das pessoas terceirizam sua felicidade para uma outra pessoa. Namoram, noivam e casam pensando que é responsabilidade da outra pessoa fazer com que sejam felizes.

 

Nosso final também é terceirizado. Ninguém mais fica com uma pessoa moribunda em casa. Despacha-se a pessoa para um hospital, clinica, asilo onde possa morrer “com cuidados médicos”, pelo menos é isso que dizem. Naturalmente o ritmo de vida atual é agitado e ninguém tem o tempo necessário para cuidar do parente moribundo.

 

E quando a morte finalmente chega, o defunto é velado em velórios, e não mais em casa como ocorria até cinquenta anos atrás.

 

Fazemos tudo isso com naturalidade e não paramos para pensar em como nos tornamos especialistas em nossas profissões e em como não estamos dispostos em fazer algo que nos tire de nossa zona de conforto.

 

Por: Sandra Maria Duarte

 

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Sandra Maria Duarte

Sandra Maria Duarte é Professora, geógrafa e psicanalista e vive na Índia O Melhor Blog sobre a Índia é Sucesso entre Jornalistas e Professores. Tema de tese de Doutorado, Mestrado e diversos TGs. Fonte da novela Caminho das Índias. https://indiagestao.blogspot.com

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