Caminho do Sol (1ª parte): Para quê tudo isto?

Caminho do Sol (1ª parte): Para quê tudo isto?

- Foto: Reprodução/Internet

Nesta semana, tive a oportunidade de realizar um sonho. Fiz de bicicleta, em três dias, o Caminho do Sol, uma rota de peregrinação entre as cidades de Santana do Parnaíba e Águas de São Pedro, com 241 km, atravessando 12 cidades.

Dividi meu desejo com mais quatro amigos: Oro, parceiro de longa data, corredor de meia maratona. Aldrigo, duatleta, “trekkeiro”, acostumado a longos percursos caminhando. E os corredores de aventura: Gerson e Rafael. Formada a equipe, escolhemos a data, estudamos percursos e tudo o quê precisaríamos para esta nova aventura.

E como chegou rápido aquele 8 de janeiro! O quê parecia nunca chegar, atropelou minha ansiedade e os preparativos pareceram insuficientes para o desafio. Estávamos lá, as 4:30 da manhã, indo para Santana para nossa partida. Aprontamos as bikes, uma oração, um acerto e vamos lá!

Partiu e caiu! Gerson ainda se adaptando a sapatilha, cai logo no inicio e a todos preocupa. Felizmente, nada grave. Os tombos fazem parte de quem faz, de quem tenta, de quem se arrisca para o desconhecido. O grande mérito do vencedor é aquele que levanta, limpa a poeira (no caso dele, o sangue!) e segue. Logo à frente, a euforia nos faz errar o caminho. Aldrigo, navegador por experiência, percebe e nos corrige. Como é bom, ter alguém para nos colocar na rota certa!

Oro um tanto reflexivo e incrédulo com o tamanho da empreitada, muitas vezes a parte da equipe, pergunta a todos: “para quê tudo isso?” mais tarde, me confidenciaria a resposta. Acredito que estas são perguntas com muitas respostas, cada um terá a sua em diferentes momentos da vida.

Quatro horas da tarde, todos exaustos. Vejo minha equipe desfalecendo entre a poeira e o sol escaldante. Minha função sempre é acreditar e fazer com que acreditem que conseguiremos. Seguimos em frente, como guerreiros que seguem o caminho porque tem uma missão. Paramos num oásis, o caminho tem estas paradas, onde casas ou pousadas servem de abrigo para os andarilhos. Não é somente a água fresca e a sombra que acolhe, mas a família, as pessoas, as histórias de vida de cada um. Revigorados. Seguimos confiantes que a primeira parte será vencida.

Começa a anoitecer e chegamos ao nosso primeiro pernoite. Todos bem, esta será uma noite de grandes descobertas.

O escurecer parece ser um tormento para nós, a adrenalina e o cansaço nos impedem de uma noite bem dormida. Com exceção, do Rafael, que tem a incrível capacidade de se desligar do Mundo num clique, todos se remexem e tentam se acomodar entre as dores e os pensamentos. Como pode uma noite mudar um destino?

(esta história continua, assim como as histórias de nossas vidas).

 

 

Djalma Nogueira

Bicigrino no Caminho do Sol

 

 

 

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