Refugiados: uma questão mundial

Refugiados: uma questão mundial

- Foto: Reprodução/Internet

Antes de adentrar no tema em si, necessário se faz definir quem é considerado "refugiado".

Refugiado é qualquer pessoa que busca proteção em país que não o seu de origem, pois no seu, sua vida está ameaçada em razão de sua raça, religião e convicção política.

Na modernidade, o mundo teve, entre a ascensão do nazismo - na Alemanha - e seu declínio, de 1933 a 1945, uma grande movimentação de pessoas, centenas de milhares de judeus buscaram asilo em diversos países da Europa e Américas. Mas poucos foram os países, mesmo diante da aterrorizante causa que gerou tal situação, dispostos a acolhê-los de pronto. Dificuldades foram impostas. Violências cometidas.

Em 1947 a ONU aprova o plano de partilha da Palestina encontrando solução que tira, dos países inconformados com a circunstância, a obrigação moral de abrigá-los. 

Hoje, em 2015, vivenciamos um "déja vu" ao testemunharmos a fuga em massa de sírios que sofrem com o terror do ISIS e Bashar al-Assad (presidente sírio),  além de afegãos e iraquianos ao terem seus países desestruturados pelas  invasões dos EUA. E, de igual maneira - indesejáveis - como os da Segunda Guerra Mundial, por vários países de passagem ou pelos buscados como refúgios.

Individualmente optamos sem grandes questionamentos sobre o lado correto da conjuntura - o acolhimento de nossos sofridos irmãos. A solidariedade e compaixão que nos fazem mais humanos anulam qualquer outra possibilidade. Mas a questão não é tão simples assim quando se trata da decisão de um governante. A perda da identidade cultural do seu povo, prover os refugiados de emprego, saúde, moradia e tantos outros pontos que devem ser levados em conta, tornam, pela complexidade do fato, difícil a decisão. Os possíveis efeitos negativos a médio e longo prazos são colocados, por eles - líderes mundiais - na balança de forma racional diferentemente de nós anônimos.

A constatação de que o problema mundial está apenas iniciando, faz com que as potências mundiais ponham o assunto na pauta do dia.

A África com a miséria e guerrilhas tribais, o Oriente Médio com seus conflitos geopolíticos, o mundo de forma geral, engolido por sistemas político e econômico que se mostram, cada vez mais, ineficientes em relação às expectativas das massas, motivam o crescimento da imigração para os países que proporcionam segurança física e reais oportunidades de evolução aos seus cidadãos. Porém, certamente, esses países, diante da realidade que se estabelecerá, não darão conta de asilá-los sem que se instale um desequilíbrio interno em seus países - seus cidadãos perderão as conquistas sociais e econômicas alcançadas. Seria justo? Por outro olhar: poderão fechar suas portas deixando, quem sofre ameaça a sua integridade, ao deus dará?

Analgésicos apenas disfarçam a doença. Estar a par das razões que impulsionam essa fuga em massa no mundo - violência e meios indignos de vida - podem alicerçar reais atitudes transformadoras por eles lideradas. Será uma árdua travessia - o abandono de valores que as sociedades, até então, priorizaram e não nos cabem mais pelos péssimos resultados que nós humanos colhemos.

Todas as raças se encontram em um ponto de conexão - somos uma só espécie, humana. E como seres humanos, conectados - o que se faz a um se faz a todos. Descobrir o caminho que nos traga equidade global é nossa lição de casa como "criaturas".

 

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Regina Helene de Oliveira O'Reilly

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