Não é por acaso

Não é por acaso

- Foto: Reprodução/Internet

Getúlio Vargas fez-se presidente do Brasil por duas vezes - de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954.

Seu segundo mandato foi antecipadamente findado - Getúlio suicida-se em 24 de agosto de 1954. Vinte dias antes desse fatídico dia, seu governo começa a dar os últimos suspiros de vida em virtude da adversidade gerada pelo atentado contra seu arquiinimigo político Carlos Lacerda. O atentado conhecido como "atentado da Rua Tonelero" - rua do Rio de Janeiro - no qual Lacerda foi ferido e seu acompanhante, o major da Aeronáutica, Rubens Vaz, falece, é confessado pelo chefe da  guarda pessoal e braço direito de Vargas - Gregório Fortunato. Na primeira fase da investigação, a família do presidente - seu filho e seu irmão caçula - é diretamente envolvida. Assim, a pressão para que Getúlio renuncie chega ao ponto máximo quando, após várias tentativas fracassadas para contornar a situação, ao sentir-se sem saída faz sua escolha definitiva entre tornar-se mito eternizado pela história ou escorraçado do poder em desonra. Escolhe a morte e a perpetuação da imagem “pai dos pobres”. Em carta testamento confessa esse intento: “... Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história”.

Mas a crise de seu governo por denúncias de corrupção já o afetavam desde 1953. Ao interceder diretamente pela liberação de empréstimo do Banco do Brasil, para o jornal de Samuel Wainer - Última Hora - usando dinheiro público em favor de partidários, enseja intensas acusações, pela oposição, de favoritismo que culminam com o pedido de seu primeiro impeachment. Impeachment esse negado. Em junho de 1954 uma outra razão propicia novo pedido, negado, de impeachment. A descoberta de que parte de sua campanha presidencial havia sido patrocinada por Perón além da divulgação de cartas secretas trocadas entre eles, que tratavam do pacto ABC - Argentina, Brasil e Chile. Pacto que visava, pelo populismo, alcançar a integração sul-americana pelo apoderamento dos sindicalistas.

Pessoalmente, creio que o objetivo desse pacto fundamentava-se na ambição de Perón, nutrida desde época anterior, no nazismo, de fundir todos os países da América do Sul em um “Reich”, no qual imperaria. A idéia do pacto era de se contraporem em bloco aos Estados Unidos da América.

A íntima ligação dos mesmos com os nazistas, ao dar-lhes guarida ao final da Segunda Guerra Mundial, reforçou os ideários do nacionalismo trabalhista, que já alicerçavam, individualmente, seus governos.

A história se faz por ciclos que se repetem, como expressei em diversas ocasiões. Há alguns anos atrás testemunhamos a retomada, por Lula, Chaves, Cristina Kirshner, Evo Morales, Corrêa, do objetivado pelos ditadores Getúlio e Perón, fãs de Hitler. Presentemente, esses ditadores latinos americanos, fãs de Fidel Castro, anseiam o mesmo - a integração da América do Sul pela hegemonia do ideal nacional trabalhista contrapondo-se ao inimigo “imperialista” EUA. Ou melhor, ansiavam. Diante dos descalabros, por eles cometidos em seus países e as terríveis consequências legadas aos seus povos, não só anularam a pretensão herdada - América do Sul tornar-se uma república de sindicalistas - como também anularam suas sobrevidas no poder.

Melhor seria aceitarem o que não pode ser mudado - submetendo-se às evidências. Agora, só lhes cabe uma atitude honrada: rendição.

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Regina Helene de Oliveira O'Reilly

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