Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Quem sabe faz a hora não espera acontecer

- Foto: Reprodução/Internet

Compartilhei um post no Facebook do grupo “Apoio ao Dr. Moro” do qual faço parte, que pedia nossa opinião sobre o agendamento durante a semana da próxima manifestação em prol da renúncia ou impeachment da presidente, bem como da punição e cassação de todos que usufruem ilegalmente do poder que nós, povo brasileiro, concedemos-lhes.

De supetão, absorvida pela sensação de estarmos sendo mantidos em banho maria por aqueles que nos opomos justificadamente pelos fatos que se apresentam, concordei de pronto na realização durante a semana. As experiências anteriormente vivenciadas trouxeram-me preocupação quanto aos nossos anseios serem mantidos em suspensão por longo período. O que seria fatídico para nós em dois sentidos - chegarmos a um ponto intensamente crítico da economia e pelo conformismo, perpetuarmos o que não deveríamos mais aceitar.

Em similares situações passadas, ao utilizarem-se da mesma estratégia - manter-nos em banho maria, o tempo se incumbiu de arrefecer a pressão coletiva que exercíamos para o alcance dos justos desdobramentos. E tudo ficou por isso mesmo. Tanto é que o mensalão não intimidou a continuidade da corrupção. Continuaram ativos, celebrados pelo incauto povo e seguros quanto à impunidade, por aqui, reinante.

Naquela época, alguns notáveis, que poderiam liderar o fim da instituída bandalheira, acreditaram que o melhor para o Brasil seria blindar o presidente Lula, supostamente envolvido. Talvez, creio eu, tenham-no blindado ao acreditarem que um estadista busca a convergência entre os opostos para o bem do país. Só que se esqueceram que há um limite para a busca dessa harmonia. O limite é a lei. Além do que nós brasileiros de forma geral, ao não gostarmos de enfrentamentos que possam balançar nossa vida pessoal, adotamos comumente o deixa para lá - nada vai mudar mesmo, para que então vou... Preferimos passar por cima da polêmica persistindo nos jeitinhos pontuais que não colocam nunca um ponto final.

Explico a razão da minha escolha, baseei-me na estratégia de sucesso que os sindicalistas (PT) utilizam para o atingimento de forte pressão que impõem ao pressionado, ao ficar sem saída, resposta imediata ao anseio reivindicado. Durante a semana ocorrendo grande manifestação popular o efeito seria sentido com grande impacto pelo governo - as cidades parariam. O país pararia. Na verdade, o país apenas refletiria fielmente o caos a que nos submeteram. Não seria apenas um "domingo no parque", seria um dia de transtorno generalizado. Pesado , não é?

Amigos, cujas opiniões políticas respeito, contestaram essa minha opinião pessoal. Disseram ser tática da esquerda, xiita, que causaria transtorno a população trabalhadora, excluiria a participação das famílias, anularia o ambiente pacífico estabelecido gerando a antipatia dos que se sentiram impossibilitados de levar sua vida rotineira. Refleti sobre as razões por eles elencadas e cheguei à seguinte conclusão: pelo bem do país e de todos nós que seja pesado um dia apenas e possa trazer o fim do suplício de anos a fio.

Está na hora de deixarmos a "elegância" de lado e assumirmos o peso da difícil decisão. Estando certa ou errada, submeto-me a vontade da maioria, seja em concordância com a minha opção ou não. Pois sei que a vontade da maioria carrega, pela união, a força necessária para as conquistas.

Antes do ponto final devo confessar que ao menos um legado esse governo nos deixará: o aprendizado de que só a ousadia estabelece mudanças. Boas ou más. Eles foram ousados de diversas formas. Primeiramente se fazendo reconhecer como um partido comportamentalmente e idealisticamente diferente dos demais, dando esperança de um novo tempo para muitos. Para, a seguir, se fazer reconhecer como o partido que institucionalizou a corrupção no país, destruindo a esperança de 93% da população e colocando o país numa crise nunca antes vivida.

Tomo para mim a mensagem de Geraldo Vandré: "Quem sabe faz a hora não espera acontecer... aprendendo e ensinando uma nova lição."

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Regina Helene de Oliveira O'Reilly

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