Ver e aprender

 

Otacílio observava o pomar aparentemente quieto e bucólico no qual se sucediam diferentes manifestações de vida e de sobrevivência. Aqui, formigas caminhavam ao longo do trilho o qual ia do pé de louro até a entrada do formigueiro; ali, pássaros de cores e cantos diversos caçavam insetos e minhocas e em vôos fugazes e dirigiam-se para seus ninhos; acolá, galinhas de angola corriam buscando aranhas e escorpiões; mais além, a vaca mimosa ruminava enquanto seu bezerro sugava as suas tetas à caça de alimento; um pouco mais distante algumas aves mergulhavam em vôo rasante em um pequeno lago; após o cercado, uma cadela que havia dado a luz durante a madrugada aconchegava seus filhotes que se protegiam e sugavam desesperados o leite materno.

De repente, lembrou-se das empresas com as quais convivia e percebeu a correlação entre diferentes mundos: de um lado clientes e de outro a organização; de um lado manifestações de necessidades e expectativas e do outro o seu atendimento. Lembrou se também de produtos que retornavam à sua origem e de sua dinâmica mercadológica.

Recordou-se, entre baforadas, do ciclo de palestras de que participara onde o pano de fundo fora a logística, sua origem, evolução, técnicas e importância. As idéias apresentadas pelos palestrantes apontavam para alguns fatos: ela em si mesma não era recente; sua origem estava associada às organizações militares e hoje ela é utilizada em muitos empreendimentos desde a identificação das necessidades dos clientes até a entrega de diferentes produtos e serviços no tempo e na forma certas, além de envolver-se o retorno de produtos à empresa sob a forma de reclamações, ou de produtos destinados à reciclagem.

Como os princípios dos processos poderiam ser visíveis na natureza também poderiam ser nas organizações, concluía. Então onde se escondiam as suas dificuldades? Nas relações humanas? Na capacidade de ver, entender, compreender e relacionar as partes e o todo? Na busca e aplicação de uma resposta rápida e eficaz? Ao longo de suas ponderações outra questão veio à sua mente: a de que na física quântica pressupõem-se a existência de “interconexões invisíveis entre coisas que a princípio julgamos separas” (Clemente, 1996, p. 197). Consideração que o conduziu a entender diferentes cenários e seus elementos de maneira diferenciada, e a compreender o significado da prática do desaprender para aprender novamente. Como alguns podem supor, enganosamente, esse ir e vir não estaria relacionado formulações teóricas, mas sim à busca do novo de maneira objetiva e prática a partir da construção de uma nova realidade e indivíduo.

Para que essas propostas se transformem em outras realidades e sejam capazes de gerar outros cenários se torna importante que pessoas aprendam a desenvolver e a conviver com momentos diferenciados que envolvem a convivência com as dificuldades e vantagens associadas à globalização, à presença de meios eletrônicos de comunicação, à distribuição de diferentes formas de energia (elétrica, calorífica, atômica). Todas associadas a diferentes formas de manifestações e interpretações de muitos, que ainda não as entendem e vêem os acontecimentos de um modo simplista e binário, não percebendo e até não dando o devido valor a fatos distribuídos ao longo dos tempos como se não fizessem parte de uma intensa rede de comunicações que não mantém efetivamente uma lógica permanente e absoluta, mas que é mutável de maneira acentuada ao longo do tempo.

Esse conjunto de reflexões o levava a considerar que ainda existe muito a pensar e a concluir, e que diferentes indivíduos possuem plena condição de agregar valor a essa espiral de realizações em diferentes campos do conhecimento.

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Bruno Tacoronte

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