13/11/2017 às 20h22min - Atualizada em 13/11/2017 às 20h22min

“Era a mulher da minha vida”, diz marido de gestante que morreu após consulta na Santa Casa

Homem diz que houve negligencia e despreparo no atendimento de sua mulher

- Foto: reprodução / facebook

Nossa reportagem conversou com Caio Cesar Migliaccio, 27 anos,  marido de Bruna Stephanie Pires, de 28 anos e grávida de nove meses, que morreu juntamente com o bebê na manhã de sábado (11). Caio e Bruna estavam em um relacionamento há dois anos e se preparavam para receber o seu primeiro filho, em uma gravidez que ocorreu sem complicações até os fatídicos ocorridos que levaram a morte da mãe e seu bebê, que deveria nascer no final de novembro.

Caio contou a nossa redação em detalhes sobre o que ocorreu com sua mulher, que foi levada por ele a Santa Casa de São Roque com fortes dores abdominais na noite de sexta-feira (10). Ao ser atendido pelo médico, este teria avaliado o quadro da paciente e ele lhe indicou um medicamente, mas como as dores não diminuíram, foi realizado um procedimento de lavagem estomacal.

Após o procedimento a jovem recebeu alta, mesmo que as dores não tenham sumido completamente. Ao chegar em casa de madrugada, Bruna e Caio foram dormir, mas às 11h00 da manhã de sábado a gestante acordou passando muito mal e com fortes dores, chegando a perder os sentidos. Caio acionou o serviço de Urgência e Emergência de São Roque e a mulher foi encaminhada novamente para a Santa Casa, porém não resistiu  e veio a falecer.

Exames mostraram que a morte de Bruna foi ocasionada por uma hemorragia intra-abdominal aguda, devido a ruptura de aneurisma da Aorta Abdominal.

Confira abaixo entrevista que caiu concedeu a nossa reportagem

Segundo Caio, que trabalha como gerente de uma loja, a revolta de todos que conheceram Bruna é muito grande pois um exame mais aprofundado sobre o seu caso poderia ter descoberto a enfermidade e assim, salvado mãe e filho. “Existiam inúmeras outras alternativas para solucionar aquela situação do que simplesmente supor uma cólica intestinal, receitar um buscopan com dipirona e depois dar alta a uma mulher grávida que continuava com fortes dores no abdômen”, afirma.

Devido a isso, o gerente afirma acreditar que houve um despreparo por parte do médico que atendeu o caso e que teria realizado uma suposição errada sobre o que havia de errado com sua mulher, fato inadmissível quando se lida com uma vida humana. “Nossa vida muitas vezes depende de um órgão público qualificado e um médico preparado e nós não temos isso. No Brasil não contamos com isso e infelizmente acontecem casos como o da Bruna onde nos deparamos com um médico despreparado”, completa.

O caso foi registrado na Delegacia de São Roque e a Polícia Civil Municipal irá investigar. Quando questionado sobre quais são suas intenções após esta tragédia, Bruno afirma querer que a Justiça seja feita e que as causas da morte de sua mulher sejam esclarecidas pelos órgãos competentes, como forma de alerta para futuros pais, profissionais de saúde e órgão públicos redobrarem suas atenções para que casos como o de Bruna nunca mais voltem a se repetir.

Mas apesar de marido, familiares e a própria população cobrarem esclarecimentos sobre o caso, nada será capaz de reparar esta tragédia que destruiu uma família que estava iniciando sua trajetória.  “O coração fica destruído. Ela era a mulher da minha vida e nós nos amávamos muito, estávamos constituindo uma família e esperávamos o nosso filho, que ia ter meu nome e já tínhamos comprado tudo, quarto montado, roupas, acessórios, mas tudo isso aconteceu. É uma dor imensurável”, se emociona ao falar sobre a perda.

A Santa Casa emitiu uma nota oficial sobre o caso, afirmando que não fugirá a responsabilidade, mas pede que população não julgue o hospital até que todos os fatos sejam apurados

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