13/04/2017 às 12h00min - Atualizada em 13/04/2017 às 12h00min

O que é real no que você inveja?

Conheço os bastidores, os números, os desabafos, a saúde financeira, física e mental por trás das aparências. Muitas vezes, quanto mais bonito tudo parece, piores são as histórias. Sei quanto custa manter, o que foi preciso fazer para adquirir e a probabilidade de se perder determinado bem ou posição social.

Acompanho com preocupação a compulsão por gastos, o vício das dívidas, a irresponsabilidade de adultos que se cercam de uma falsa riqueza. Sinto o crescente interesse nas conquistas do outro e as comparações do nosso pior dia com o melhor dia do outro nos envenenando. Uso a tecnologia que nos liberta de algumas coisas e nos escraviza com outras, confundindo o que é real. Vejo a crescente autonomia feminina – mas nem tanto – o esforço do homem em parecer bem resolvido enquanto seu papel muda o tempo todo e o suposto poder dos filhos enquanto a sua dependência se prolonga.

Será que você não está desejando algo irreal, ilusório, que na verdade não existe? A aparência está supervalorizada e isso faz com que muito do que vemos não tenha lastro em fatos. Os motivos são diversos, recusar-se a a ver a verdade, enganar para impressionar ou para conseguir alguma coisa, só querer saber de coisas positivas, varrer a sujeira e reprimir os problemas para baixo do tapete por falta de coragem ou estar anestesiado por vícios. Somos avaliados e julgados o tempo todo e nem sempre o que consegue melhores resultados é o mais competente, ele pode ser simplesmente o político, o bom vendedor ou o comunicador eficaz. O casal mais romântico e apaixonado nas festas e na Internet não necessariamente é o mais feliz.

Ter um ótimo carro significa mais um interesse por carros do que poder aquisitivo. O motorista pode estar preso em infinitas parcelas ou ser apaixonado por carros, viciado em trocar o carro zero a cada ano. Pode ser uma pessoa insegura que precisa de um carro grande, potente e caro para se afirmar. Ou quem sabe ele passa por locais isolados, tem crianças pequenas, viaja muito com o carro ou transporta coisas grandes.

Andar sempre impecavelmente bem arrumada não significa ser rica. Isso diz mais sobre a vaidade da pessoa, a importância que ela dá aos símbolos, à comunicação, à visão e ao senso estético. Ela certamente gasta bastante tempo com isso, mas dinheiro… Algumas endividam-se em lojas, joalherias e salões, acabando com a saúde ao subir nos saltos e alisar os cabelos. Outras são criativas e costuram, fazem suas próprias máscaras, compram ou trocam peças usadas. E as fotos cuidadosamente escolhidas e editadas? Admiramos aquela imagem estática esquecendo que as pessoas são 3D e não estão sempre no seu melhor ângulo.

Você se impressiona com lindas mansões ou escritórios sofisticados? Nem sempre isso quer dizer patrimônio sólido, pode ser uma herança que a pessoa mal consegue sustentar, um local de trabalho com pressão insuportável ou o abrigo de uma família que mal se fala. A fachada impecável muitas vezes esconde um quintal entulhado, uma cozinha abandonada e armários cheios de mofo.

Se você se encanta com a leveza da bailarina aceite os seus calos, se almeja as medalhas do atleta pergunte da sua lista de lesões, se você inveja a emoção do cantor saiba das humilhações que ele passou, se sonha com o sucesso do empresário, esteja disposto a lutar e falhar. Toda conquista vem depois dos desafios e na biografia dos ricos e famosos tem dor, erros, sacrifícios e esforços.

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